
Pe. JOSÉ MARÍA GRAN CIRERA e DOMINGO BARRIO BATZ

Ele era muito consciente da instabilidade política que estava por vir sobre o povo desassistido pelas políticas de desenvolvimento oficiais. Naquela época, ele escreveu: “Há mais soldados do que antes em Chajul, e por causa de certos rumores que correm entre as pessoas, nós preferimos não deixar a cidade por vários dias, pois, com tantos soldados nas ruas, as pessoas não estão tranquilas e a presença do padre, mesmo que pouco possa fazer, sempre dá um pouco de tranquilidade”.
Seu serviço pastoral foi feito especialmente nas comunidades mais remotas. Um fato ecoou fortemente em Quiché: o incêndio na Embaixada de Espanha, onde 39 pessoas foram mortas, a maioria eram camponeses, e alguns eram catequistas. Este fato chocou a população. E o então bispo, Dom Juan Gerardi, sacerdotes e religiosos corajosamente denunciou em um comunicado: “a situação de violência extrema, agravada pela ocupação militar do Norte…”.
Logo após o ocorrido, o comandante militar disse a população que o Pe. José María e os outros padres e freiras eram responsáveis pelo que eles estavam passando no norte de El Quiché e advertiu ao Pe. José María que ele era um estrangeiro e enfrentaria as consequências.
A partir de então começaram as ameaças diretas contra os sacerdotes e catequistas.
Dias depois o Pe. José María precisou seguir em viagem missionária até Chel, distante do povoado, e lá realizou celebrações e atendeu ao povo como acostumava a fazer. Neste povoado ele foi avisado do perigo que corria, porém, não desistiu de suas atividades pastorais e seguiu sua missão como de costume, atendendo as comunidade e os povos.
Ao retornar, em Visiquichún, aldeia para a qual ele teve que passar no meio do caminho, foi advertido novamente do perigo. E neste lugar Pe. José María disse várias coisas de grande importância: em primeiro lugar; sua decisão de voltar ao Chajul porque no dia seguinte deveria celebrar a solenidade de Corpus Christi; em seguida, ele tentou em vão dissuadir Domingo Barrio Batz que o acompanhou o resto do caminho, porque sua vida corria perigo e ele tinha uma esposa e filhos para cuidar; Domingo se recusou a deixá-lo ir sozinho; terceiro; advertidos por alguns comerciantes que elementos do exército os aguardados no caminho acima, padre José Maria e Domingo ajoelhou-se em oração. Dessa oração, ambos criaram forças para seguirem em frente. Logo depois os dois caíram mortos. Pe. José María com um tiro pelas costas, que lhe fez explodir o coração e Domingos com um tiro no pescoço que arrancou-lhe a cabeça. O exercito admitiu ser o autor das mortes, alegando um confronto com “guerrilheiros”. Padre José Maria tinha 36 anos.
Na ocasião do martírio o Bispo Juan Gerardi disse: “Não dê ouvidos às vozes que querem manchar este testemunho. Não deem ouvidos a aqueles que dizem que os padres deveriam ser mortos, porque eles são comunistas. Irmãos, não! Parte dessa perseguição religiosa é uma campanha de desprestigio e difamação que vêm sido vítima bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, destinadas a criar um clima de desconfiança do povo católico aos seus legítimos pastores. Para nós é especialmente significativo, dadas as circunstâncias da morte do Padre José María Gran Cirera, MSC, pastor da Chajul, um tiro nas costas, quando regressava a cavalo para levar o consolo da religião para muitos paroquianos em aldeias remotas de sua paróquia, acompanhado apenas de seu sacristão Domingo Batz, que igualmente foi morto”.
Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.